2 de abril de 2012

Mass Effect 3 (PC, PS3, Xbox360) (****)


Há RPGs eletrônicos que são heróicos, com protagonistas vencendo todas as dificuldades para conseguir um final feliz. Mass Effect 3 não é um desses RPGs. O novo game da Bioware é uma história trágica, sobre perdas e escolhas dolorosamente cinzentas. Após dois jogos onde o Comandante Shepard conseguiu impedir o fim da vida na Via Láctea, o apocalipse chegou, e o game finaliza a saga de seu personagem com uma luta desesperada pela sobrevivência.

Enquanto alguns RPGs como The Elder Scrolls Skyrim e Fallout criam enormes mundos abertos, com diversas oportunidades de fugir do enredo principal, a série Mass Effect, assim como seus irmãos Dragon Age e Knights of the Old Republic, sempre tiveram outro foco, contar uma história poderosa, criar personagens carismáticos e te envolver em uma saga bastante linear, mas com uma narrativa épica e escolhas que afetassem todo o mundo do jogo. E em Mass Effect 3 esta idéia atingiu o ápice.

Aqui recai sobre Shepard decisões insanamente tristes, principalmente para quem jogou a série desde o primeiro game, e aprendeu a amar e odiar seus personagens. Você deixaria a personagem mais carismática da série, e uma das quais o protagonista pode namorar, morrer? Mesmo sabendo que a outra opção é o extermínio de toda a vida na galáxia? Você permitiria a uma raça guerreira violenta e perigosa a liberdade se eles o apoiassem na luta, mesmo sabendo que eles continuariam a guerrear contra os humanos e seus aliados caso sobrevivessem à guerra? Você escolheria extinguir o último membro de uma raça insectóide ou arriscaria uma traição por deixá-los viver? Não há escolhas óbvias em Mass Effect 3, e cada passo trás consigo um preço amargo.


Terra sob ataque. O que você sacrificaria para salvá-la?

No final de Mass Effect 2, Shepard e seu grupo, após uma missão praticamente suicida, conseguiram destruir a nave dos Collectors e atrasar a invasão dos Reapers, monstros mecânicos com centenas de metros de altura que invadem a Via Láctea a cada 15.000 anos para exterminar toda a vida orgânica. Após alguns anos de tranquilidade, os tais Reapers provam que não estão para brincadeira, e em questão de horas arrasam todo o Sistema Solar e chegam no planeta Terra.

Em poucos dias todos os outros planetas são invadidos e as outras raças inteligentes da galáxia caçadas por estas criaturas. Cabe ao Comandante Shepard e sua tripulação da nave Normandy unir as raças da Via Láctea contra essa ameaça, arbitrar antigas guerras e desavenças e formar uma força militar como nunca antes existiu, enquanto as mentes mais brilhantes da galáxia decifram o Crucible, uma arma gigantesca capaz de exterminar os Reapers.

A narrativa de Mass Effect 3, e como ela se desenrola, é com certeza, a melhor e mais profissional já vista em um game. Skyrim, Dragon Age e outros RPGs recentes nem mesmo se aproximam da profundidade e do terrorismo sentimental que este game joga sobre você. As escolhas vão ficando cada vez mais difíceis à medida que o jogo avança, e até o sujeito mais durão vai ficar mexido (na melhor das hipóteses) ou com lágrimas nos olhos (na pior delas) com o desenrolar de algumas escolhas que você é obrigado a fazer. Mass Effect 3 consegue um nível de narrativa tão adulta e elaborada que está claramente acima de qualquer filme , livro ou série de TV recente.

Durante todo o jogo a questão é a mesma apresentada por Maquiavel em O Príncipe: "O fim justifica os meios?". Até onde você iria para salvar as pessoas que ama? E quantos você mataria friamente para impedir a extinção de sua raça? Não são respostas fáceis quando você se vê condenando à morta alguém que estava agindo corretamente apenas para conseguir mercenários para seu exército, ou quando assiste ao suicídio de seus amigos de Mass Effect e Mass Effect 2 em troca de mais naves ou tropas.


Shepard - Matar robôs é fácil comparado às decisões que você tem que tomar...

Outro ponto positivo de Mass Effect 3 é que o game te deixa jogar como preferir. Logo no começo você pode escolher se quer focar na ação (o jogo mesmo vai escolher os diálogos, você não vai pegar ninguém na Normandy, mas seus inimigos serão muitos e muito fortes, praticamente um "Gears of War"), no Role Playing (você vai poder escolher a maioria dos diálogos, customizar seu personagem e os aliados e ainda terá combates interessantes) ou História (dificuldade baixa nos combates, você toma todas as decisões nos diálogos). Ou seja, se você não está nem ai para a história (e eu pergunto o motivo de estar jogando Mass Effect e não Gears of War 3...), pode escolher a primeira opção e deixar o destino da galáxia nas mãos do computador enquanto você esmaga hordas de aberrações tecnológicas.

A jogabilidade é bem similar aos outros Mass Effect, com mecanismos de coberturas, inimigos e armas praticamente iguais. Há muitos cenários novos, variando da Terra em ruínas a planetas alienígenas e bases espaciais, mas nada que você não tenha visto nos jogos anteriores.

Graficamente, no entanto, há uma melhora sensível. Os contrastes de luz e sombra são belíssimos, as texturas na maior parte são bem feitas, as expressões faciais passam emoção e as cores dão um visual especial para cada planeta, indo do deserto nuclear a laboratórios pristinamente brancos.

Como nos outros Mass Effect, o jogo em geral é muito linear. Nas missões basta andar para frente atirando nos inimigos, e mesmo quando se visita algum lugar pacificamente, há poucas regiões acessíveis para se explorar. A proposta da série não é ser um mundo aberto, e nunca foi. Assim como em Final Fantasy, você está sempre "preso" a um caminho sem muita liberdade de ação. Quem acabou de sair de RPGs maiores como Skyrim ou The Witcher vai se sentir um pouco claustrofóbico com os intermináveis corredores de Mass Effect 3, mas nada que seja novidade para quem já é fã da série.

O game também se destaca pelo som, seja nas músicas tristes e épicas que pontuam as belíssimas cutscenes, seja no silência sepucral de um luto ou nos excelentes diálogos. Apenas os sons das armas e inimigos decepcionam um pouco, não por serem ruins, mas por não estarem à altura dos demais. Os monstros não soam ameaçadores como os de Dead Space, nem mesmo quando tem centenas de metros de altura, e as armas não soam poderosas, parecem mais com aquelas arminhas de brinquedo.


Husks, feios o bastante para estreiar em Dead Space 3...

Mass Effect 3 não é livre de alguns "probleminhas" no entanto. Há alguns bugs e glitches, como personagens que somem nas cutscenes (e Shepard fica falando para as paredes feito um maluco), crashes e uma ou outra coisinha que será resolvida logo com patches. Os problemas grandes neste jogo são outros...

Antes do lançamento, a Bioware anunciou várias coisas para este game. Teria batalhas espaciais entre naves, 16 finais totalmente diferentes, onde suas escolhas nos games anteriores fariam grandes diferenças, não haveriam buracos na história e todas as pontas soltas seriam amarradas em um final épico. Nada disso foi cumprido, o que deixou os fãs, decepcionados.

Nada de batalhas entre naves, apenas minigames de exploração onde você tem que fugir dos Reapers a todo custo. Ao longo do jogo você pode procurar por "War Assets", forças espaciais para aumentar seu exército, incluindo naves perdidas pelo espaço, mercenários, tropas de elite abandonadas em planetas implorando por resgate e coisas assim... mas no final das contas, os War Assets não servem para nada, há apenas um final (onde nada do que você encontrou aparece ou tem qualquer influência) com ligeiras diferenças na cutscene (mais adiante se você não tem medo de SPOILERS!) e muitas, muitas pontas soltas.

A impressão passada é que a equipe que desenvolveu Mass Effect 3 foi abduzida quando iriam terminar os últimos 10 minutos de cutscenes, e a Bioware colocou outra equipe que nunca jogou nenhum game da série ou leu qualquer coisa a respeito para terminar essas cutscenes, o que resultou em uma das coisas mais "nada a ver" da história dos games. Depois de uma narrativa tão intensa, séria, adulta e trágica, é difícil não ficar decepcionado.

No frigir dos ovos, Mass Effect 3 é um game que merece ser jogado, com cenas que você jamais irá esquecer. Só lembre de desligar o console ou puxar o PC da tomada antes das cutscenes finais...



Reapers, com centenas de metros de altura, destruir toda a vida da Via Láctea não é uma tarefa tão difícil...







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ATENÇÃO! - SPOILERS!
Se você não jogou Mass Effect 3 até o final, pode parar por aqui, pois adiante eu vou estragar sua surpresa sobre o terrível final desse game. Se você não se importa com spoilers ou já terminou o game, continue por sua conta e risco.

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 Hoje com a internet e fóruns como o 4chan, não demora nada para que uma simples indignação se torne um meme e ganhe fama, piadinhas e versões por todo lado. Mass Effect 3 chegou a este status logo que os jogadores começaram a zerar o jogo. Teve fã até torrando dinheiro para mandar bolinhos para a equipe da Bioware como protesto (uma medida que eu desencorajo, visto que game designers costumam ter um fraco por doces e podem vir a fazer finais ruins de propósito só pra comer de graça às custas dos jogadores)

Mas qual é o problema afinal com o fim de Mass Effect 3? Por qual motivo os jogadores se revoltaram tanto com ele e não com outros finais ruins que tem por aí?

Pessoalmente acredito que foi criada uma grande expectativa sobre este final, pela equipe da Bioware e pelo jogo em si. Se tivessem dito que Mass Effect teria apenas um final, independente das suas escolhas, creio que muita gente não ficaria tão indignada, afinal ninguém manda bolinhos para a Blizzard por não gostar do final de Starcraft 2 Wings of Liberty. Todos já esperavam um final só, toda a narrativa do jogo caminhou para aquilo, nada foi prometido sobre 16 finais diferentes dependendo de suas escolhas, você não se esforçou resgatando tropas para um final que nunca chegou...

Tudo bem que a Bioware tem total autonomia e direito de fazer o que quiser com seus jogos. São propriedades intelectuais deles, se eles quiserem colocar um final onde o Comandante Shepard fica rolando na lama, pelado e cantando Friday da Rebecca Black, eles podem fazer isso, e os jogadores não tem direito algum de querer mudar esta decisão deles. Mas isso não faz com que o final de Mass Effect 3 tenha sido bem feito... ou que sequer faça sentido. Vou enumerar algumas coisas que provam minha teoria de que a equipe que estava trabalhando no jogo foi abduzida e gente que nunca jogou Mass Effect fez as cutscenes finais:

1- O resto da narrativa não importa:

Caso você não tenha visto ainda os finais de Mass Effect 3, dê uma olhada no vídeo abaixo:


Fora um ou dois detalhes (Big Ben destruído, Reapers caindo ou voando...), os finais são exatamente iguais, e independem de toda a narrativa. Digamos que você passou os três jogos (importando o mesmo personagem) combatendo os sintéticos (Geth, Reapers...), ou pregando a paz e tolerância entre eles... Não tem qualquer influência.

Ok, há jogos, arrisco dizer que a maioria deles, onde existe apenas um final... mas o que levou os designers da Bioware gastar tempo e recursos criando seis finais ligeiramente diferentes e te dando duas opções para escolher no final do jogo (e mais uma opção secreta, mas chegaremos lá), completamente alheias ao resto da narrativa?

Finais de Mass Effect 3... Você pode escolher, não pode?
2- Deus Ex Machina mal feito:

Nada a ver com o game Deus Ex. Na literatura, Deus Ex Machina é um recurso muito usado quando autores estão cansados ou sem inspiração para terminar uma trama. Consiste em simplesmente jogar um personagem superpoderoso qualquer que esclareça tudo para o protagonista de uma hora para outra e faça a trama andar.

E o final de Mass Effect 3 faz isso da pior forma possível. Após todo o esforço de Shepard de chegar na Citadel e ativar o Crucible, ele é levado a uma sala e recebido por uma criança azul transparente, com a cara do moleque que você vê morrer no começo do jogo.

Anteriormente no jogo, o personagem Javik tinha dito que ninguém sabia de onde os Reapers vinham e por qual motivo extinguiam a vida na galáxia de tempos em tempos. Essa afirmação me fez viajar na idéia de algum horror cthuliano que teria criado estes seres nos confins do espaço, e que seria talvez o adversário para um Mass Effect 4, com propósitos obscuros e malignos.

A cutscene final jogou tudo isso no chão. O moleque diz que ele foi o criador dos Reapers, e num acesso de lógica circular do roteirista deste final, o fez para que de tempos em tempos eles destruíssem os seres orgânicos, para que estes não criassem máquinas inteligentes para destruir os orgânicos.

Ah, legal, então é isso. Se você vai ter um câncer e morrer daqui 50 anos, vou te dar um tiro agora e pronto, te impede de ter um câncer no futuro....

"Legal, obrigado por estar nos matando para que nós não nos matemos daqui a uns 200 mil anos..."

E Shepard? Ele é o cara que, se você seguiu o caminho Paragorn, tenta fazer todo mundo ficar em paz pela diplomacia, se seguiu Renegade, enfia uma pistola na cara de qualquer mercador para pedir desconto... o que ele faz? Não, ele está legal com isso, as suas únicas opções (que pra variar não mudam o diálogo seguinte) são concordar com o moleque...

E quem é esse moleque afinal? Era ele um Reaper infiltrado no planeta Terra e misteriosamente escapou da morte? Ele era um humano, morreu e passou a assombrar o Shepard? Ele é um holograma criado pelos Reapers enquanto liam a mente de Shepard para que ele buscasse concordar com uma cara familiar?

E todas aquelas questões profundas que a série discutiu desde o primeiro game, sobre preconceito, auto-afirmação, livre-arbítrio, escolhas e consequências? Tudo pelo ralo enquanto um moleque-fantasma-holograma-sei lá o que convence o maior "badass" da Via Láctea usando um argumento que nem um moleque de sete anos de idade aceitaria...

3- Shepard é pior que os Reapers.

Depois de mais de 50 horas de jogo (se você começou de Mass Effect, importou o personagem em Mass Effect 2 e Mass Effect 3), vários amigos e amantes do protagonista sacrificados, Shepard morrendo e voltando da morte, finalmente chegou a hora de acabar com os Reapers.

O moleque-fantasma-Reaper-etc diz claramente, você tem duas opções: Destruir os Reapers, o que vai destruir também você por causa de seus implantes biônicos e todas as formas de vida artificial, incluindo os Geth, ou controlar os Reapers, o que vai te desmaterializar mas te dará total controle sobre as criaturas. De qualquer forma, os Mass Relays serão destruídos.

Acontece que, como vimos na expansão The Arrival, a destruição de um Mass Relay causa uma supernova, uma explosão que destrói totalmente todo o sistema estrelar onde ele se encontrava. Qualquer atitude que Shepard tome agora vai MATAR TODOS OS SERES VIVOS da galáxia, coisa que os Reapers não fazem (ao longo do jogo ficamos sabendo que pelo menos três Protheans sobreviveram à extinção anterior, incluindo o que entra para o seu grupo, e também que os Reapers deixam em paz seres vivos inferiores, matando só os que são tecnologicamente avançados).

A julgar por tudo o que Shepard fez e passou ao longo dos três jogos, é difícil acreditar que ele tenha optado por devastar todas as formas de vida da Via Láctea. Não teria outra maneira de preservar as espécies? Talvez colocando casais de cada raça em naves e mandando para o espaço interestrelar até que os bisnetos deles voltassem e colonizassem novamente os mundos sem Reapers? Ou preservando pessoas em animação suspensa como os Protheans fizeram?

Em Mass Effect 2, vemos que a tecnologia deste universo é capaz de restaurar a vida uma pessoa que foi a) asfixiada, b) exposta ao vácuo do espaço, c) congelada, d) sofreu uma reentrada na atmosfera, queimando até virar um toco de carvão. Não faria mais sentido equipar, com essa tecnologia, naves robôs autômatas e mandar caçar corpos, depois que os Reapers forem embora, e restaurá-los à vida?

As únicas opções que a equipe da Bioware pensou foram "Destruir todos os seres vivos com explosões verdes", "Destruir todos os seres vivos com explosões azuis" e "Destruir todos os seres vivos com explosões vermelhas".

Ok ok, talvez os Mass Relays não se tornassem supernovas se fossem explodidos pelo Crucible... talvez apenas o que foi destruído em The Arrival tivesse poder para tanto. Mesmo assim, as consequências são desastrosas.

As raças em Mass Effect, incluindo os humanos, não tem tecnologia para se locomover na galáxia sem os Mass Relays, e a frota combinada de todas elas estará presa no Sistema Solar caso os Mass Relays sejam destruídos.

Se você recrutou os Quarians, apenas eles tem tecnologia para produzir sua própria comida dentro das naves, todos os outros estão condenados a morrer de fome... ou atacar os Quarians. O planeta Terra em ruínas dificilmente poderia suportar todas as raças... e o problema maior são os Krogan, que além de mais fortes e resistentes que os humanos, são militaristas e violentos e já afirmaram para Shepard que querem a Austrália como pagamento pelos seus "serviços"... o que vai impedí-los de lutar para conquistar todo o planeta?

E ainda pior, se você recrutou os mercenários, você tem a escória da humanidade agora orbitando o planeta, piratas espaciais e bandidos que não iriam esperar um segundo antes de começar a pilhar as cidades arruinadas e organizar estupros em massa...

Diante das possibilidades, os Reapers nem parecem tão perigosos...

"Espere até o final, eles disseram... você vai ter uma tonelada de opções de finais, eles disseram..."

4- Os War Assets não servem para virtualmente nada

Ok, então você passou um longo tempo escaneando planetas aqui e ali, correndo o risco de chamar a atenção de Reapers e fugindo em desespero quando ouvia aquele barulhinho deles... Reviu tudo na sua sala de guerra, todas as fragatas perdidas que você achou, os batalhões especiais que resgatou, os soldados que auxiliou e pensou "Mal posso esperar para ver os Elcor com armaduras de batalha, como tanques vivos, mal posso esperar para ver a maior fragata Turian em ação, os esquadrões especiais de Assari surpreendendo o inimigo por detrás, os piratas "lutando sujo", arremessando suas próprias naves em "ataques bin Laden" contra os Reapers, como a chefe deles, Aria T'Loak prometeu"...

Parabéns... gastou tempo a toa. Podia ter seguido a missão principal sem se preocupar com isso, você não vê esses War Assets EM MOMENTO ALGUM, seja no jogo, nas cutscenes ou sequer eles são mencionados. A única diferença que eles fazem é decidir se o Big Ben vai ser destruído e se o planeta vai ser calcinado... o que não faz sentido algum!!!

Quer dizer que quanto mais naves eu tiver em órbita, menor as chances do Crucible queimar a atmosfera do planeta??? Por qual motivo???

Se você descobrir todos os War Assets, uma tarefa tão hercúlea quanto ingrata, poderá ver o final mais nonsense de todos (mais sobre ele abaixo...)...

5- Sua tripulação te traiu... e seu interesse amoroso também!

Vamos rever os últimos momentos antes da cutscene final de Mass Effect 3. Você está na Terra, em um posto avançado dos humanos em Londres, e encontra todos os seus aliados da Normandy. Ao sair para a missão, dois vão com você, à sua escolha. Depois de algumas missões e tiroteios, todo mundo recebe um tiro direto de um dreadnought Reaper e morre... menos Shepard e o major Anderson...

Eles sobem para a Citadel através de um raio teletransportador e lá acontece a explosão multicolorida que destrói os Mass Relays.

Então a cena seguinte mostra a nave Normandy, passando pelo Mass Relay antes dele explodir e caindo em um planeta qualquer (capaz de sustentar vida humana) e... de repente saem da nave o piloto Joker (que apesar de sofrer de Osteogenese Imperfecta, doença que torna os ossos tão quebradiços quanto giz, sai andando de uma nave que CAIU na atmosfera de um planeta SEM nenhum arranhão...) e sua equipe... sim, a equipe que estava na Terra e te acompanhou...

Perae! Quando que a Normandy teve condições de resgatá-los?! Depois do tiro do dreadnought? Quer dizer que a nave desceu lá na Terra, topou com todo mundo ferrado, os seus aliados bem escondidinhos (eles não estão com um arranhão, Shepard e Anderson viram quase um pudim de sangue, tripas e pedaço de armadura), leva eles embora e NEM SE DIGNA a resgatar o corpo do comandante da nave?! Aqueles caras que menos de 20 minutos atrás tinham prometido morrer por ele e ao longo dos jogos realmente se lançaram a missões suicidas por ele?!

E para piorar, se Shepard teve algum interesse amoroso na Normandy, ela sairá da nave com Joker. Achou que a gatinha(o) que o comandante tava pegando desde Mass Effect ia ficar chorando, de luto, se descabelando sobre a cova vazia de alguém que se sacrificou para acabar com os Reapers? Que nada, ela(e) tá lá, sem derramar uma lágrima, e ainda dando uma de Adão e Eva com o cara que não consegue nem andar direito...

"Shepard, eu te amo... mas não vou derramar uma lágrima quando você morrer pois estarei ocupada repovoando um mundo qualquer junto com um cara com um defeito genético incurável..."
6- O final "secreto" não faz sentido algum

Ok, voltando à cutscene do final e deixando as especulações de lado. O moleque-fantasma-Reaper te dá duas alternativas. Você pode destruir um tubo que provavelmente alimentava alguma fonte da IA dos Reapers e fazer todos eles cairem no chão inertes ou você pode acessar um console que vai te vaporizar e anexar sua mente à IA, permitindo a Shepard controlar os Reapers eternamente.

Se você conseguiu encontrar todos os War Assets, você tem uma terceira opção... que não faz sentido algum. Shepard simplesmente sai correndo e pula num raio que, até onde sabemos, só serve para transportar coisas e pessoas entre a Terra e a estação espacial Citadel... Acontece uma grande explosão e os Reapers vão embora e os Mass Relays explodem....

Mas mas mas... como?

Quer dizer que se Shepard tivesse sentado no chão e ficado jogando Paciência no Omni-Tool dele, isso iria acontecer de qualquer forma? Isso aconteceu por ele ter pulado no raio? Mas como? O raio levou ele embora para a Terra e pronto, a explosão ocorreu? Simplesmente não faz sentido algum...

E de bônus você pode ver o medroso e covarde do Joker, que fugiu da zona de batalha como uma galinha, abraçado com EDI, a robô/IA da Normandy... Ok, o sujeito que não pode topar o dedão na geladeira sem ganhar uma fratura exposta no fêmur e uma andróide capaz de esmagar um tanque de guerra juntos... Seems Legit.

7- Mas e o resto da Galáxia???

Ok, depois de sabermos que o covarde do Joker aterrisou no planeta, resgatou os covardes dos seus aliados que se esconderam da batalha final e correu para um planeta aleatório no universo para fazer sexo com a namorada do comandante e, talvez, uma andróide 100% metálica, somos agraciados com outra visão completamente nonsense, uma pessoa e uma criança, em um planeta que claramente não é a Terra, andando entre as árvores, e o moleque pedindo que o adulto contasse mais histórias sobre o Shepard...

Mas perae! O que é isso? Joker idoso e seu filho? O filho do Joker e o neto dele? Milhares de anos depois quando o piloto covarde populou um mundo qualquer com seus filhos, todos carregando traços de uma doença genética grave?

E o resto da galáxia? Quando estavamos jogando, fizemos escolhas e sacrificamos personagens queridos não pela prole do Joker, mas sim pelos personagens, raças e mundos que estavam no universo de Mass Effect. Cadê os Krogan? Como eles ficaram agora que podem se reproduzir normalmente? Cadê as Assari? Como elas estão depois de saber que sua deusa nada mais foi do que um Prothean que sobreviveu aos Reapers? E os Salarians? E os Turians? Eram para esses que o comandante Shepard estava lutando... a não ser que eles foram mesmo extintos pela explosão dos Mass Relays...

8- Má Oê! Quem quer dinheiro?!

Após este final completamente nonsense, sem qualquer conexão com os eventos do jogo, o que aparece na tela? Um aviso para comprar DLCs...

Ok Bioware... vai ser mercenária assim lá na frota que vocês deixaram a deriva em volta da Terra!

- Conclusão: A cutscene final foi escrita, dirigida e construída por uma equipe que não teve qualquer contato com Mass Effect 3 ou qualquer outro game da série, foi feita de maneira absolutamente aleatória, com diálogos sem nada a ver com o universo do jogo, colocando personagens em locais em que eles dificilmente poderiam estar, contrariando os eventos que se viu durante o gameplay, contrariando os acontecimentos dos games anteriores e simplesmente esquecendo (ou desconhecendo) tudo o que estava acontecendo naquele momento no universo do jogo.

O final de Mass Effect 3 é mais ou menos como se, no clímax de O Retorno de Jedi, quando Luke estivesse sendo tentado pelo Imperador Palpatine, tudo explodisse e Han Solo, Obi Wan Kenobi (vivo, não o fantasma), Chewbacca e a princesa Leia aparecessem tomando suco em um bar no Velho Oeste com o capitão Kirk de Jornada nas Estrelas... E ainda o cinema te pedisse mais dinheiro para "expandir a lenda deles"...

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