11 de setembro de 2009

Fallout Brotherhood of Steel (PS2, Xbox) (***)

- Fallout Brotherhood of Steel (PS2, Xbox) (***)

O ano é 2004. A franquia Fallout, que tinha feito sucesso com os excelentes Fallout e Fallout 2 estava com graves problemas. O prometido Fallout 3 já havia sido feito e refeito diversas vezes, o Fallout Tactics, para PC, havia fracassado como um game de estratégia tosco e muito inferior aos RPGs da série. A Interplay e a Black Isle, responsáveis pelos primeiros games estão sofrendo, principalmente depois que a TSR, detentora dos direitos de Gamma World e Alternety, cenários onde se passa a narrativa de Fallout, havia sido comprada pela Wizards of the Coast, e seus cenários haviam sido postos a venda.
Com a popularização dos consoles PS2 e Xbox, a Interplay resolveu usar a engine de Fallout Tactics e produzir um RPG para console, focando novamente a Brotherhood of Steel, irmandade de guerreiros do universo de Fallout.
Irmandade do Aço

Fallout Brotherhood of Steel já nasceu com um problema crônico, o título. Os primeiros lotes do game sairam com o título de Fallout Tactics: Brotherhood of Steel. O problema é que os últimos lotes do game para PC Fallout Tactics TAMBÉM tinham o mesmo título. Muita gente pensou que era o mesmo jogo, adaptado para PS2 e Xbox (como fizeram com Diablo, da Blizzard, para PS), e as vendas caíram.

O jogo foi renomeado como "Fallout Brotherhood of Steel", sem o "Tactics", mas o estrago já estava feito, e o game caiu no limbo dos jogos obscuros, pouco conhecidos e poquíssimo jogados.

Eu mesmo trombei com o jogo em uma banquinha de camelô, lá no Rio Grande do Sul, sem nem fazer idéia de que ele existia. Procurei para vender no mercado legal e nada. Na internet também e nada. Só fui conseguir colocar as mãos em uma cópia muito tempo depois, na Romênia, onde um amigo me emprestou o game.

À primeira vista, o jogo é meio tosco. Os gráficos são fracos, e tentam reproduzir mais ou menos o que tinhamos em Fallout 2 e Fallout Tactics. Algumas coisas são exageradas, outra simplesmente mal feitas. Lembra um pouco o estilo de gráfico de Warcraft 3, embora muito pior.

O som consegue ser realmente ruim. Os barulhos das armas e dos inimigos são insuportavelmente irritantes, e minha gata de estimação ficou particularmente incomodada com os gritos dos escorpiões gigantes do jogo (escorpião grita?). Algumas armas, como as de raios laser, fazem um barulho tão irritante que eu tive que colocar a TV no "mute" para poder jogar. A música de fundo também é ruim, embora a musiquinha da tela inicial seja divertida (uma baladinha anos 60 sobre um neutron solitário à procura de um elétron).

O cenário muitas vezes é mal feito. Feio, com texturas toscas e obstáculos sem noção. A visão em terceira pessoa, "de cima" também não ajuda. Muitas vezes é difícil ver por onde se pode andar e onde é um obstáculo.

O que poderia ser feito, então, com um game tão tosco? Como essa verdadeira aberração visual, esse atentado auditivo, conseguiu três estrelas no Blog da Resenha?

Aqui entra uma coisa que falta em muito game "bonitão" por aí. Jogabilidade, conteúdo e narrativa.

A jogabilidade de Fallout Brotherhood of Steel é impressionantemente simples e divertida. Você não precisa de muita coisa para dar acrobacias, desviar de balas, mirar, atirar em inimigos, conversar com outros personagens e passar por obstáculos. Na maioria das vezes um toque no botão já providencia a ação necessária, sem maiores obstáculos. A resposta dos controles é rápida e direta, e os menus não são difíceis de acessar.

O desafio do game lembra os bons tempos de Fallout 2, com NPCs divertidos, umas pontas de comédia, diálogos bem pensados, vilões amedrontadores e uma narrativa bem costurada. Você começa como um personagem (pode escolher entre a esteriotipada mulher gostosa, o cara saradão ou um monstro esquisito) recém alistado na Brotherhood of Steel, que ficou de encontrar seus companheiros em um bar em uma cidade pós-apocalíptica. A cidade, no entanto, está sob ataque de saqueadores, e, seus camaradas não deram notícia. A partir de então é trama em cima de trama, trazendo alguns vilões clássicos da série Fallout, como os Supermutantes.

O game não tem medo de ousar. Em certa parte você perde o braço e tem que correr contra o tempo para não morrer de hemorragia. Em outra você tem que controlar um robozinho para levar os inimigos até feixes de laser. Rastejar por túneis lotados de robôs malucos. Lutar contra mulheres de lingerie. Infiltrar-se em uma religião maluca de mutantes. As missões são todas bem costuradas e bastante originais. Claro que tem as velhas missões "peque tal coisa e entregue para tal sujeito", mas aqui elas normalmente não passam de armadilhas, brincando com os velhos clichês dos RPGs eletrônicos.

No mais, Fallout Brotherhood of Steel é um game raro, graficamente ruim, sonoramente péssimo, mas extremamente divertido. Se encontrar por aí, não perca a oportunidade. Principalmente se você for fã da série. É de matar a saudade dos tempos de Fallout 2.




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