22 de junho de 2012

Binary Domain (PS 3, Xbox 360, PC) *****


Ano 2080, o aquecimento global derreteu as camadas de gelo dos polos e várias cidades foram tomadas pelo mar. Para resolver o problema, países como o Japão construiram várias plataformas e camadas de cidades umas sobre as outras, enquanto os mais pobres tem que viver nas ruínas semi-submersas das antigas cidades, os mais ricos vivem com tranquilidade em luxuosas cidadelas futuristas, servidos por todo tipo de robô, de andróides semelhantes a pessoas a enormes guindastes autômatos e automóveis.

Com os avanços na robótica, os países mais influentes se uniram no "Nova Convenção de Genebra" e assinaram um tratado, banindo, entre outras coisas, a criação de robôs capazes de se passar por humanos. Times de soldados especializados em lidar com aberrações tecnológicas, os "Rust Crew", passaram a fiscalizar o cumprimento do tratado, caçando e destruindo qualquer criação que viole o tratado de Nova Genebra.

Eis que um dia uma pessoa adentra um dos maiores produtores de robôs, a empresa Bergen, e revela ser, na verdade, um andróide recoberto de tecido vivo, como os Terminators de Exterminador do Futuro. E não só ele, o general do exército americano também era um robô... e vários outros podem ser também, uma vez que esses seres mecânicos tem inteligência artificial tão avançada que nem eles mesmos sabem que são andróides.

Mutilação de robôs... lembra um pouco a mecânica de Dead Space
É nesse universo distópico que se passa Binary Domain. E, para falar o mínimo sem dar spoilers, fazia muito, muito tempo que eu não ficava tão satisfeito com a narrativa ao terminar um game. Jogos de ação não costumam ser famosos por sua história ou diálogos, e é exatamente ai que este se destaca.

Em Binary Domain você joga com Dan Marshall, um Rust Crew americano que é enviado para uma missão secreta no Japão, aprisionar Yoji Amada, empresário e gênio da computação que, suspeita-se, está por detrás dos andróides que se passam por humanos (conhecidos como "Hollow Child", algo como "Criança Oca").

Para auxiliá-lo na missão você conta com Bo, seu colega americano, Charlie, ex-agente secreto inglês chato e antipático, Rachael, ex-agente secreta inglesa especializada em explosivos (e feia feito um canhão), a lindíssima Faye, tenente do Exército Popular da China, o divertido robô francês Cain e o líder da resistência japonesa Shindo.

Seus aliados e vários outros personagens secundários encontrados ao longo do jogo são muito detalhados e bem construídos, e suas personalidades marcantes chegam a compará-los à tripulação da Normandy de Mass Effect. Os diálogos com eles são bem construídos e deixam evidentes suas preferências, gostos, críticas e elogios quanto a suas ações.

Binary Domain ainda conta com o "Consequence System". Durante o decorrer do jogo, a equipe terá que se separar diversas vezes, e você poderá escolher quem vai acompanhá-lo. Dependendo de como você trata seus aliados, responde aos diálogos e luta, eles podem ficar mais ou menos amigáveis a você, e o jogo vai, sadisticamente, colocar os aliados que você escolhe com mais frequência em partes trágicas ou perigos durante as missões, trazendo novas cutscenes e alterando a narrativa conforme você progride na história.

É... não é só em Mass Effect que você leva a gatinha pra cama sendo um cara legal...
Fora a narrativa e todo o sistema de interação com os aliados, Binary Domain ainda é um jogo de ação de tirar o fôlego. Naqueles moldes típicos de Gears of War e similares (visão em segunda pessoa, se protegendo atrás de barricadas a maior parte dos combates...), o jogo trás um sistema de mutilação parecido com o de Dead Space. Dependendo de onde você acerta os robôs inimigos você pode arrancar os membros deles ou até mesmo decapitá-los, fazendo com que eles ataquem seus próprios colegas.

Embora o armamento não seja lá grande novidade (fuzis, rifles de atirador de elite, escopetas, pistolas e lança-mísseis), há variações interessantes, principalmente de granadas, e você pode encontrar várias combinações interessantes de armas para todas as situações.

Binary Domain também se destaca por não deixar a peteca cair. O jogo te arremessa de um combate épico ao próximo, te colocando frente a frente com monstruosidades tecnológicas cada vez maiores, de andróides com dez metros de altura a aranhas mecânicas do tamanho de prédios, gorilas robóticos quase indestrutíveis, transformers e naves de assalto. Cada inimigo, aliado e arma tem uma ficha que pode ser acessada no menu do jogo e conta curiosidades e habilidades deles.

Derrotar cada um destes chefes é uma grande diversão, e não raro você vai passar algumas horas até fazer cada monstro desses cair em pedaços no chão.

"pequeno" robô de Binary Domain... sinta-se o Chuck Norris depois de destruir essa coisa!
Graficamente, Binary Domain impressiona. Efeitos de luz, sombra, névoa, fumaça e água são belíssimos, assim como os reflexos na lataria dos robôs e partes metálicas voando pelos ares. A animação dos personagens é um trabalho de mestre, assim como as texturas, que dão a impressão perfeita de como cada material seria sentido pelo tato.

A trilha sonora não chega a fazer grande diferença, mas as dublagens são muito bem feitas também, da fala sarcástica e cheia de sotaque de Charlie às piadinhas de Bo e piadinhas do robô francês Cain.

O jogo também conta com um recurso inovador de microfone, pelo qual você pode dar ordens a seus aliados e dialogar com eles simplesmente falando ao invés de apertar botões. Como o microfone do meu headset está quebrado, não testei este recurso para ver como ele funciona, mas pelo que pude ler na internet, não parece ser tão funcional... embora seja um passo para, talvez em um Binary Domain 2, termos uma versão melhor dessa tecnologia.

Se você não tiver um microfone ou não quiser usar um, ainda pode escolher as falas do protagonista pelos botões do controle ou teclado, o que faz desse "viva-voz" apenas um recurso extra.

Cain, o robô/esteriótipo francês salva a mocinha e te deixa se esborrachar no chão: "Ela é mais bonita do que você"
Enfim, Binary Domain, embora não tenha feito a mesma fama que outros games recentes, é extremamente bem feito, bem escrito, dublado e programado. Diversão garantida tanto para os fãs de Gears of War quanto para os fanáticos por Mass Effect, com uma jogabilidade fluida, gráficos e som maravilhosos e narrativa que vai te deixar impressionado.


Um comentário:

  1. Aê cara muito bom.. gostei do jogo .. tenho também um post no meu blog .. da uma olhada lá.. fiz a pouco tempo


    http://eaiinternet.blogspot.com.br/2013/12/binary-domain-um-jogo-foda.html

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